- Então, o texto se produz dentro, entende?
- Dentro?
- É... eu só escrevo quando está pronto dentro de mim, senão não tenho o que dizer...
- Hmmm...
- E uma vez que eu disse daquele jeito... não tem como mudar... entende?
- Entendo...
- Mas não concorda...
- Não... eu acho que escrever é re-escrever (alguém já o disse, mas não me lembro quem)... Eu até já acreditei nisso que você está dizendo... mas não acredito mais... eu também já acreditei em Deus, por exemplo...
- O que Deus tem a ver com isso?
- Hmm... Nada... Eu acho... É que sempre que conversamos...
- Sabe, eu não falava italiano na Toscana...
- Só falava portugês?
- É... eu até sabia italiano, mas falava português, e xingava muito...
- Mas o que você foi fazer lá, então?
- É que eu também não acreditava em Deus...
- E foi procurá-Lo na Toscana?
- Menina, só tinha colinas verdejantes lá... aquela casa antiga... e colinas...
- E Deus?
- Ah, e Deus também.
Cada um agradece como sabe.
Próximo capítulo: "A mulher não existe" ou "Uma perspectiva válida".